come on feet, we was born to move,

B(enny)SIDE


Benny Shin. 32 anos. Proprietário do Jiefen Vintage & Boba e morador de Brick Lane, em Shoreditch.

[001.]   ORIGEM.
Benny nasceu em meio à pluralidade de Londres e, considerando que seus pais já eram do tipo que acreditava que criar raízes era opcional, nunca houve a possibilidade de ter sido em outro lugar. Cresceu entre shows no Hyde Park, fotos atravessando a Abbey Road, viagens de metrô até Glastonbury, tardes perdidas em lojas de discos e noites em pubs onde todos conheciam alguém que conhecia alguém que já tinha saído em turnê. Também cresceu entre mercados de pulgas, parques onde se passava uma tarde inteira sem fazer muita coisa além de aproveitar os raros momentos de sol londrino, cafés pequenos demais para tanta gente recitando suas poesias faladas e brechós onde entrava só para olhar e quase sempre saía carregando mais do que cabia nos braços. Aprendeu cedo a andar pela cidade sem muita pressa, a conhecer lugares pelo caminho e a descobrir que sempre havia alguma coisa interessante escondida justamente onde poucos procuravam olhar.

[002.]   JIEFEN.
Nunca foi muito bom em imaginar naquelas dinâmicas de onde se via daqui a cinco, dez anos, mas, há alguns anos, decidiu que era hora de ter alguma coisa que pudesse chamar de sua. Comprou o Jiefen num impulso que, não tão impulsivo assim, tinha sido pensado por mais tempo do que pensou muitas decisões importantes da vida. Sempre gostou de roupas antigas, da ideia de expressão identitária e histórica pela imagem, de objetos que carregam marcas de quem passou por eles, e a ideia de juntar tudo isso num lugar só pareceu boa o suficiente para arriscar. Não virou um grande empresário, nem pretende virar. Gosta de estar presente e abrir as portas pela manhã, escolher o que vai para as araras, conversar com quem aparece e tomar bubble tea exageradamente doce no balcão enquanto alguma música toca ao fundo. Talvez amanhã queira fazer outra coisa, talvez continue ali por muitos anos... Por enquanto, ter um lugar onde pode guardar e dividir um pouco daquilo que gosta parece suficiente.

[003.]   HARMONY.
Harmony é a sua escolha sem nem precisar pensar. Benny acredita demais na ideia de que história também se preserva nas coisas pequenas: numa jaqueta que passou por três donos, num disco riscado que alguém se recusou a jogar fora, numa música que continua sendo ouvida décadas depois de ter sido gravada, numa galeria que segue de pé através de muitas gerações. É justamente por isso que detesta tanto a gentrificação, essa mania de transformar tudo em algo novo, limpo e lucrativo até que ninguém mais consiga reconhecer o que havia ali antes. Não é contra o futuro, mas não entende por que ele precisa chegar apagando o passado. Para ele, cultura não deveria ser descartável só porque existe um prédio maior querendo ocupar o mesmo espaço. E, se pode manter um pequeno pedaço disso vivo dentro do Jiefen, com roupas circulando de mão em mão e histórias passando junto delas, já considera que está fazendo a sua parte.


Woodstock aesthetic, a coleção ready-to-wear do Marc Jacobs para a Louis Vuitton em 2013 (aquela onde ele fez uma homenagem ao Bowie), moda retrô inspirada em dad rock e no vintage moderno, além de todo e qualquer pedaço de tecido de couro que possa encontrar pelos brechós de beira de esquina ou esquecidos pela cidade... É esse o pot-pourri que define Benny, que, assim como seu estilo, também é totalmente mutável, adaptável e subjetivo — nada mais que um reflexo do que é e dos tempos vividos.Inspirado sob vários aspectos, mas jamais influenciado a abandonar seu estilo de peças de décadas atrás, passadas de mãos em mãos até chegarem às suas, e a forma que sua personalidade reflete em tudo usado para se expressar. Seu cinto preto-fosco, com desenhos de ferraduras de cavalo em alto-relevo e, bem na fivela, um stallion em prata chamando atenção; a bota de cowboy que trocou por um vinil das The Kim Sisters depois de muitas semanas perturbando o dono original do par; o suéter puro cashmere que custou um mês da renda do trabalho e, até hoje, ainda é sua peça favorita de misturar com o guarda-roupa abarrotado; coach bags em quase-perfeito estado, mas não tanto.Benny nunca fez muita questão de separar o que veio de Londres daquilo que aprendeu dentro de casa. Uma mistura de décadas, brechós, shows, festivais, peças herdadas e coisas que simplesmente achou bonitas o suficiente para levar para casa. Cresceu com pais hippies que nunca fizeram muita questão de separar o que era certo do que era apenas diferente, então acabou aprendendo a fazer o mesmo com tudo que escolhia guardar. Um pouco de dad rock aqui, uma peça vintage ali, couro, jeans, estampas, qualquer coisa que pareça pertencer a alguma história. No fim, é quase tão livre quanto a forma como foi criado: feito de tudo que viu, gostou e decidiu guardar.O importante mesmo é poder garimpar o mundo à procura do que completa sua vida: roupas com histórias e quaisquer LPs e CDs que possam ser adicionados à coleção, em constante estado de crescimento, além de tudo aquilo que possa encontrar em mercados de pulgas e lojas de antiguidade. Coisa que já faz parte da sua rotina há anos, mas ainda mais desde que comprou o Jiefen, onde transformou o gosto por roupas e objetos antigos em um pequeno negócio que pudesse chamar de seu. Benny nunca viu muito sentido em separar o que veste daquilo que acredita: se uma jaqueta pode passar por três donos e um disco continuar tocando décadas depois, não entende por que qualquer uma dessas coisas deveria ser tratada como descartável. Então escolhe, garimpa e coloca tudo de volta em circulação, devolvendo às coisas a chance de continuar contando suas histórias.E, no fim, é justamente isso que torna a vida tão simples para Benny. Uma peça nova encontrada em algum lugar, um disco que não conhecia esperando para ser ouvido, alguma coisa interessante esquecida no fundo de uma caixa e uma tarde inteira para decidir onde quer estar. Não precisa de muito mais quando ainda existe tanta coisa antiga por aí esperando para ser encontrada.


OOC.
+21, (d)ela. Gosto de jogar e topo qualquer tipo de desenvolvimento, até os mais curtos. Evito hc ao máximo, mas se a situação pedir, soo la voo or whatever. Jogos podem (e vão) ter uma resposta mais lenta durante a semana, mas sempre respondo. Benny tá aberto ao que surgir e couber, não me importo com conflitos não combinados, mas espero o bom senso de manter em IC. Não combino relacionamentos, adoro um slowburn, mas não foco em endgame. No mais, DM tá aí pra tudo.